segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Na estrada da vida com Adriano Amendola

"Eu vim de outro planeta e caí no seu quintal"

A música que vem do coração não se auto-censura.

Eu dividia meu tempo entre o cursinho pré-vestibular e uma agência de publicidade quando, em 2011, me aproximei do Adriano. Era um encontro casual e com diversas intenções, mais ou menos o que acontece por aí quando estamos solteiros e alguém nos chama pra sair. Fora a tensão física, a expectativa não era de encontrar o músico, mas mesmo assim o foi.

Mais ou menos dias depois eu já estava ouvindo uma de suas composições que falava sobre sua viagem dentro de si mesmo e de algumas descobertas espirituais, algo muito presente nas músicas. As letras são cheias de lições sobre auto-consciência, o que poderia parecer muito difícil de entender mas é magicamente simples. Vocabulário normal, palavras fáceis, rimas que grudam na cabeça. Mesmo que a cabeça de quem escuta esteja oca demais.

Adriano compõe as músicas em um "estúdio-templo", escondido no Centro de Mirassol/SP. Quem passa do lado de fora pode até se assustar com os sons que surgem dentro de uma construção aparentemente anexada à uma loja de doces. Do lado de dentro, muita cor, muito brilho, muitas inspirações musicais coladas nas paredes, muitas mensagens e reflexões sobre a vida. Ah, e algumas plantas também, que são cuidadas diariamente, como uma espécie de ritual.

Em pouco mais de dois anos pude observar essas e outras motivações que garantem suas músicas. Ali no estúdio e espaço cultural Baratazul, onde se reúnem diversos amigos, outros músicos e curiosos, todo dia parece uma festa. "Que vida", pensei comigo. "Vida de artista, também quero!".

Hoje estudo Jornalismo em São José do Rio Preto/SP. Mostrei algumas das minhas ideias menos corporativistas para ele, afim de conseguir manter um veículo próprio, principalmente sobre o tema que eu mais amo. "Você pode se dar bem nisso", ele disse. São coisas intuitivas, de iniciante. E ele ouviu tudo com interesse e respeito sinceros. Lição número um do blog.

A lição número dois foi acompanhar, nestes últimos meses, o processo de gravação das composições feitas desde 2011. Maravilhada, fui descobrindo como isso é suor, trabalho, ainda que prazeroso, que exige um conhecimento profundo de sílabas, encaixe de melodias, rimas, uso das palavras, sofisticação, apesar da simplicidade que o artista aparenta. Parecia fácil, mas agora percebo que é uma ciência complexa que dificilmente se aprende.A gravação em si é algo demorado, cansativo, que requer paciência e feeling. Coisas que todo mundo tá cansado de saber mas quase não vê.

Quando tudo acaba, volta o clima de festa. No Baratazul, todos os convidados de Adriano cantam junto. Inclusive suas músicas. A nova música (segue link no fim do texto) recém-parida é exaustivamente testada e aprovada por ele, em seguida, é peneirada pelas opiniões de seus amigos mais próximos. Quando eu pude, pela primeira vez, participar deste processo, a aura mágica de poeta me envolveu - e envolve até hoje.

Dois anos depois, eu veria isso acontecer tantas vezes: letras como "Um Dia" e "Crianças de Índigo", ou até mesmo a música que iniciou o nosso namoro, a (nada) romântica "O Amor é tão Clichê", músicas que não atendem à nenhuma expectativa dos padrões e das fórmulas de sucesso, músicas que são direcionadas a pessoas próximas antes de se pensar em "grande público", algo como Heitor Villa-Lobos traduziu como: o "ouvido de dentro" não tem nada a ver com o "ouvido de fora".

Mas o encantamento da primeira canção que ouvi dele, que veio seguida do primeiro beijo e outras estreias, seria inesquecível. Ali aprendi que o artista, seja ele músico, poeta, pintor ou jornalista, existe como uma entidade única e que tudo o que é considerado popular não tem receita específica, mas demanda um saber específico para o qual muitos são chamados e poucos são escolhidos, não importa se você gosta ou não daquela arte.

Minha amizade com o Adriano dura. Ao longo destes quase 36 meses viajamos por muitas cidades, rimos, choramos e cantamos. E só não compusemos juntos porque eu sou uma boba, metida a escrever textos gigantes e tímida para mostrar minhas pequenas frases, minhas rimas sem melodia. Sinto que perco tempo nessas horas, enquanto lá fora o tempo não para dentro do corporativismo das relações, do dia-a-dia, da normalidade, da busca de dinheiro, dos trabalhos e da faculdade. Estou voltando ao que eu acreditava em tempos passados, em outra idade e em outros blogs que já abandonei. Tento manter o frescor e a alegria que a então menina de 17 anos viu transbordar no músico e compositor já veterano, no alto de seus 23 anos. Hoje, pelo menos na qualidade do som que esse rapaz vêm fazendo, a música é cada vez mais eterna.







Ouça a nova música do Adriano Amendola: https://soundcloud.com/adriano-amendola/ciberativismo

Mais informações: https://www.facebook.com/musicoadrianoamendola

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